domingo, 24 de novembro de 2013

Vôo ou queda?

Eu cai! Não sei ao certo de que altura, estou tonta, confusa, mas eu cai! Era por isso que eu não queria me soltar do chão, desse lugar seguro que conheço tão bem, ou conhecia... Já não sei... Porque essa coisa de saber algo é tão vaga como as nuvens que vi. O que é que eu sei?!
O que é que eu sei que me valha agora? Estou caída e desorientada, talvez tenha batido a cabeça, talvez... O coração, com certeza. Meu corpo está estranho, não sei onde dói, não sei nem se é dor. É uma estranheza que faz o corpo tremer por completo e eu nem estou com frio... Ou estou?...
Que descuido, meu Deus! Como pude abandonar as vestes que me protegiam? Como pude me esquecer que não sei voar? Me lancei, acreditei que estava voando, penso agora, se já não estaria caindo... Olha meu estado, estou aqui, sem conseguir nem respirar bem...
Tive a impressão que estava tocando uma música, só que já não escuto mais nada, nem vejo, em volta está meio turvo... Só sinto... Sinto um tanto de coisas estranhas, sem conseguir nomear nenhuma delas, mesmo porque, são tão desagradáveis que é melhor nem batizá-las!
Nossa, devo estar horrível, aqui, caída! Ainda nem consegui me mexer. Queria pedir ajuda, no entanto, quem me ouviria? Também estou sem voz! Quis gritar e não pude. E mais, seria até vexatório ser vista neste estado! Acho que não quebrou nada. Assim, espero! Aos poucos, vou me mexendo, deve ter sido o impacto. Que impacto!

sábado, 16 de novembro de 2013

Raios-X

Isso que você diz que vê, não passa da ponta do iceberg que me tornei. Não me defina pelo que lhe mostro, há um pedaço muito maior de mim a se descobrir para dizer o que eu sou. Pedaço que eu escondo, muitas vezes, deliberadamente, a fim de manter essa casca intacta e agradável aos olhos que veem.
Sou mais quando se olha ao fundo, só que não tão frio assim. Tenho outras temperaturas também, apesar de, nem sempre aprazíveis...
Essa risada que me escapa enquanto os olhos se apertam, é desse pedaço de mim que aprendeu que está vivo é viver! Mas precisei morrer várias vezes e, algumas vezes, até me matar, a fim de dar conta da nova pessoa que se formara em mim, que eu precisava ser.
Todas as dores que atravessaram esse corpo que ri, deixaram marcas profundas que não se apagam com outras risadas e batons. Compõem a pessoa que me tornei, mas ao custo de carregar feiuras que emergem mesmo em dias ensolarados e noites frescas.
Essa pele sensível que capta pequenas partículas de emoção e delicadeza reveste, na verdade, outra camada marcada de cicatrizes que lhe conferem uma característica mais rígida, ríspida e pouco bela. É dela que escapam os raciocínios rápidos, grosseiros, impregnados de malícia e veneno.
Acredite, sou capaz de ofender com um olhar... 
Com esses mesmos olhos que choram e se enternecem com música e fotografias, com uma linda manhã, com abraços carinhosos e com a dor do outro. Eu também firo, julgo, condeno e mato. E me envergonho... Sofro com essa dureza que não sai de mim e com as ações e reações que provocam.
Esse colorido que se mostra é meu desejo de ser beleza aos que me cercam, de completar o que lhes falta, de ser socorro, lugar afável e luzente, de ser a mão que ergue com a mesma bondade das que me sustentaram. Porque, em raios-X, sou preto e branco e muito contraste.


Vazinhos dos sonhos

Não sorriu, não floriu o rosto daquela menina que plantou sonhos na janela.
Mas, também, pudera!
Tantos vazinhos, de uma só vez, naquele lugar...
Como faria para, todos os dias, a cada um regar?
Assim, resolveu por todos à vista para provocar encanto,
E logo, foi fácil aparecer alguém para ir colaborando.
Apesar do desejo de ver todos os vazinhos brotando, florindo.
Cuidadosa que sempre fora, não aceitou, assim, à toa
Qualquer mão que tivesse surgido.
Sabia que aqueles seus vazinhos, tão lindos
Precisavam de mais que mãos, água e iluminação.
Mas de nada adiantou seu proceder,
Cada um que passou deixou um lindo vazinho se desfazer.
Pobre menina, sempre a juntar
Todos os pedaços que derrubavam de lá.
Se não despencava, quebrava, murchava, amassava.
Oh, quanta gente sem trato, sem jeito
Com seus lindos vazinhos queridos, do peito...
Pobres vazinhos, pobre menina!
Pobres sonhos cuidados sem nenhuma destreza.
Não sorriu a menina, nem floriram seus sonhos da janela.
E, cuidadosa que sempre fora,
Assustada que ficara,
Guardou todos os vazinhos, dessa janela perigosa.
Encontrou esta saída
E, assim, achou que ficaria protegida.
Contudo, se engana quem imagina 
que lamentou, a menina, todas as suas visitas!
Que de bom grado, foram todas recebidas.
É que aquela menina, cujos sonhos não floriram,
Soube guardar bem toda boa vontade que viu
Naqueles que passaram pela janela que não floriu.
Sabia que eles tentavam fazer o sonho germinar,
Só que, suas mãos não tinham o dom, nem medida certa de manejar
Aquelas plantinhas miúdas tão necessitadas de jeito,
Quase que de oração
Porque eram vazinhos dos sonhos
De dentro do seu coração.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Palavras em silêncio

Angustiada. Queria outra palavra que não esta porque, talvez, nela não contenha, exatamente, o que me abate. Porém, ultimamente, ando meio sem palavras, preciso recorrer às que me vêm...

Tenho dificuldade com o silêncio, assim, puro! É que, na minha formação, o silêncio não é uma resposta muito clara, quando não acompanhada de olhares e outras metalinguagens. Esse silêncio sem filtros, nem ruídos, nem sinais são, para mim, indecifráveis e inquietantes. E, como eu já me despi das partes mais rígidas de minha armadura, estou deambulando como criança em parque de diversão vazio e sem luz ou companhia.

Não sei se angústia ou ressaca! Então, deve ser isso... Ressaca. Bebi tudo que li e fiquei completamente embriagada. Mas, como não beber? Nunca tinham me oferecido sabores tão afáveis e intensos, descritos com vírgulas e reticências, sem pontos finais... Inerte, sem noção de tempo e espaço - já até descalçada - sentei à margem da rua e declamei medos e desejos. Que risco!

Vontade. Essa é uma palavra que me cabe. E quem não teria? Só uma alma que não dança, não canta, não chora e nem sussurra. Oras, coube no meu abraço e na minha canção... Obviamente, essa alma que padece por gentileza e sutileza, não teria outra saída se não o desejo de levar ao próprio coração.

Por fim, creio mesmo que agora é espera! Enquanto não findar esse gosto de beleza intrínseca que ficou na minha garganta, ainda não digerida, nem completamente degustada; enquanto não se encerra esse torpor, essa confusão emocional; enquanto não se dispersarem todas as notas que ainda ouço, a espera será minha companheira. E essas palavras em silêncio...

Contudo, vale ressaltar, minha resiliência. É dela que me valho! Essa capacidade incrível de suportar, de permanecer e de esperar todas as coisas encontrarem seu curso, seu lugar.

domingo, 10 de novembro de 2013

"Solidariano"

Debruço os meus ouvidos e os meus olhos, sobre aquele por quem meu coração se enternece de compaixão. Ao tocar-lhe com o olhar, faço uma prece interior a fim de que suas palavras me alcancem o coração e para que minha escuta não lhe cause angústia e dor. Dói-me que seus pensamentos, independentemente de sua natureza, lhes sejam tolhidos, sufocados ou fragmentados, involuntariamente. É um silêncio que se manifesta na palavra, na espontaneidade suprimida.
Ah, Senhor, não fosse a compostura necessária, me ajoelharia aos pés deste que vos falo e lhe imploraria a liberdade da sua vida! Posto que não funcionaria, recolho-me em busca da técnica adequada, mas me deparo sem o domínio do saber técnico, tampouco do saber do viver.
Ledo engano acreditar que lhe desejo todas as palavras sem mácula e adornadas de luzes angélicas, como que nascidas pela primeira vez e que apontam e descrevem o mundo sem o crivo dos juízes populares e acadêmicos. Não, não só...  Queria mais uma existência sem culpa – para si e para os seus – iluminada por olhos que sorriem tanto quanto os lábios. Queria-lhe mais o direito de ter vida própria, como astro luminoso, resplandecendo em si e de si.
Quem falou que a ignorância era uma dádiva, descreveu um confortável espaço mental, no qual são permitidos todos os delírios fantasmáticos do imaginário popular. Contudo, fui banida desse limbo... Sendo assim, se por um lado perseguem-me as frustrações, por outro, a resignação não é minha companheira. Eu a repudio, tanto quanto a água ao óleo, no mesmo instante em que a dor do outro me consome.

sábado, 12 de outubro de 2013

Carícias e reconhecimento, meu dia!

Não entendo como tem gente que não gosta de comemorar o próprio aniversário! É um luxo! Uma overdose de querer bem! Dezenas de pessoas pensam em você neste dia e dedicam alguns minutos, exclusivamente, para a sua presença neste mundo.

No meu último aniversário, me senti uma pessoa extremamente amada. Foram inúmeros recados, mensagens, abraços, afagos, doces e telefonemas; tudo isso carregado de carinho e afeto. Foi tão especial, que os olhos lacrimejam enquanto eu procuro palavras para descrever cada centelha de felicidade que fez o meu coração arder em chamas, de modo que parecia não caber em mim...

Meus pais e meus irmãos foram os primeiros a me encherem de vaidade, me fazendo sentir-se alguém demasiadamente especial. A cada delicadeza espontânea, me contive para não expressar em lágrimas as alegrias com que me provocavam. Vale salientar que, conter as lágrimas foi a atividade a que mais me dediquei neste dia! Esse exercício foi resultado de todas as mensagens lançadas no ar, na rede, na pele e nos olhares.

Não bastassem os queridíssimos do meu coração, minha família e meus tão amados amigos, eu tive a festa de aniversário mais linda que eu podia esperar. E já era tarde demais para esconder as lágrimas tolhidas durante um dia todo. Não fosse suficiente dos que me amam, recebi carícias e reconhecimento de pessoas que nunca vi na vida, dessa gente que nada tem e que, mesmo com tão pouco, me deram o melhor que tinham, talvez meu melhor presente! Recebi sorrisos abertos e sinceros, abraços fortes e calorosos.

Mais que isso, recebi a oportunidade de ver o quanto a vida é generosa comigo e que não importa o lugar que eu ocupe, venha ocupar ou esteja no mundo, das coisas que eu chamo de preciosas, parte está dentro de mim e a outra parte eu procuro nas pessoas da minha vida. Pessoas que de tão especiais que não couberam num único dia, foi uma semana inteira de demonstrações de afeto em gestos memoráveis e que guardarei infinitamente no coração.

Esperava que enquanto estivesse transbordando todas as coisas lindas que senti, encontraria as palavras certas para agradecer, já que, abraçar pessoa a pessoa não seria tarefa tão fácil. Vã pretensão, não haveria palavras tão poderosas que pudessem dar conta da gratidão que invadiu o meu coração estes dias. Aos que me escreveram, me ligaram, me abraçaram, aos que me proporcionaram uma festa tão incrível e inesquecível, aos que almoçaram, jantaram e riram comigo em atenção a esta data, como eu sei que ‘obrigada’ não é suficiente, espero que ‘eu amo muito vocês’ dê conta!

Que Deus os abençoe e lhes proporcione dias tão felizes, palavras tão aquecedoras e abraços tão gostosos como os que me ofereceram!


domingo, 25 de agosto de 2013

Espelho, espelho tonto

Espelho, espelho meu... Não sejas tonto, meu caro!
O que você vê não sou eu, é só parte do que te mostro. É imagem frouxa e imprecisa que não captas, não interpretas, nem digeres.

Não sou apenas esse sorriso que me fitastes que, por descuido meu, registrastes. Não! 
Sou também um músculo no peito que descompassa, pele que arrepia, lágrimas que escapam. 
Tenho dor nas costas, frio na barriga e palavras que faltam. Carrego pesos, mas compenso com algodão doce e sorvete!
O que você viu foi o reflexo das escolhas que faço, prefiro ser sorriso, ser leveza, ser afago!