quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Desisti de ter razão


O que eu fiz foi desistir de ter razão, de ser a vítima e implorar remorso. Deixei cair pela janela os pesos do meu coração. Exorcizei memórias de sofrimento para ganhar espaço no meu interior. Ainda existem farpas que me alfinetam, mas eu sou tão resistente à dor que isso pode ser superado. Para ser sincera, hoje eu já nem sei se é dor... É mais saudade... Talvez, aquele pedaço do amor que fica. É como a sua melhor foto que perderam, ou que você deixou cair no caminho de volta, está perdida, pronto e acabou-se! O que se há de fazer? Não há lamento, ira, palavra ou culpa que a traga de volta. Sofrer não muda os fatos! Mesmo porque eu não tenho vocação para sofrimento prolongado. Vocação eu tenho é para sorrir! Sofrimento enrijece a face, não dá pra sorrir amarrado (não eu!). A essa altura, que me importa se eu estava certa? Não parou de ter sol ou chuva, não fez o vento mudar de direção, nem você. Desistindo da razão, optei por mim! Há mais flores no meu jardim.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Esse silêncio

Eu sempre achei que tudo seria fotografia assim que suas palavras me esquecessem. Mas esse silêncio tem me perturbado... Queria dormir e só acordar quando suas lembranças não estivessem mais em minha memória. No entanto, as músicas que não ouvimos juntos trazem você à superfície dos meus pensamentos e me fazem acordar com você alguns dias. E quanto mais distante o tempo nos coloca, mais eu me aproximo do quanto foi verdadeira a história que perdemos no caminho, que não soubemos eternizar, nem mesmo naquele tempo. Tempo árido para mim, enquanto longe de você...
Esse silêncio é coerente, sensato e responsável. Ele só me lembra o quão longe devem se manter o meu caminho, sorriso e olhar dos seus. Porém, a cada palavra a menos, eu desejo saber a mais. Seus medos, desejos e obstinações, suas lágrimas, sussurros e crenças. Sinto te conhecer tão bem, sabendo tão pouco... Queria mais um punhado de sal, ou algumas taças de sorvetes a fim de descobrir quem sou eu em você, a fim de te descobrir. Tempo passado...
Às vezes, penso que não passa de fantasia de uma alma que transborda nas ideias, no caráter ou no temperamento as sutilezas do sentir, sem reservas. Espero "desencantar" e me encontrar com as recordações, com as músicas e com esse silêncio, sem desilusão, sem expectativa de sabor ou temperatura, apenas encontrar com o que já foi, no tempo certo: passado.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Fazendo jardim

O céu brilhou forte. A verdade é que o céu tem brilhado intensamente nestes últimos anos para mim; sou feliz e grata por isso. Flores desabrocham no meu jardim já tão florido... Às vezes chove, mas nada devastador, o suficiente pra fazer germinar sementes e lavar o coração. Contudo, minha natureza, ainda que aspire à divindade, é humana. Dessa humanidade que agradece mas não se sacia.
Queria um pouco mais que brilho... Queria que surgissem arco-íris aos montes e borboletas na minha janela com lampejos próprios dos vagalumes. É o meu jardim... Gostaria da autonomia de decidir sobre o que brilha ou não nele! Mas é normal... Às vezes, esqueço que minha natureza é humana... não decido o meu jardim. O que me cabe é cuidar bem dele! É só assim que surgem todos os versos e poemas que compõem um jardim, é no trato que brotam as mais lindas flores, compostas com um pouco mais do que cor e cheiro, mas carregada de sentido e emoção. Hei de mais florir!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Eu desisti, mas me importo

Eu quis te dar o meu afeto, minhas palavras e atenção. No começo, até um pouco mais que isso, porém, logo eu vi que era muito. No entanto, estive todo tempo focada em apoio e leveza. Mas você sempre se defendeu, inclusive de gestos e palavras afetuosas. Eu medi palavras, ampliei limites, exercitei a compreensão, busquei sorrisos e cedi silêncios. Tudo em vão? Não sei bem...
Fato é que gentilezas são sussurradas enquanto sua dureza é imposta tijolo a tijolo. E, ao ver os muros sendo construídos, me resignei. Desisti de fazer você ver as cores do mundo daqui de fora, mesmo com suas falhas e manchas, há dias de cores lindas.
Embora resignada, me importo! Fico olhando pelas frestas que você me deixou e tento me acostumar com essa imagem, que você é feliz, ao seu modo. Contudo, eu não me convenço! A alegria é como a luz, não atravessa paredes... E você fica tão bem quando está sorrindo, seu rosto tão iluminado.
Olhando daqui, acredito que seus muros não lhe trazem segurança, apenas distância. Distância de outros sorrisos, da beleza humana e de sua fragilidade, do gesto gentil, da palavra amiga, do abraço caloroso. Mas, se insiste em fazer muros, abra-lhes janelas, para que, ao menos, de vez em quando, a gente possa se encontrar e trocar essas palavras de beleza e gentileza que, eu sei, você conhece.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Chega!

Chega, que eu estou largada, com a cabeça embaralhada e o coração na mão batendo compassado. Já está no tempo dele explodir no peito, soltar o freio e descer na contramão. A saudade já está vencida e a tristeza suprimida. Chega... Mas, chega com uma porção de cheiro, tempero e medo pra dar sabor. Minha mão está ficando fria, traz a tua aquecida junto com o teu coração.
Não mudei muito. Um pouco mais de perto e vai perceber que estou do mesmo jeito de sempre, só que de jeito diferente. Deve ser porque andei crescendo, crescendo por dentro e por fora, sem ser o bastante. Ainda me faltam aprender as palavras que não escutei e as histórias que me esconderam. Falta saber de sabores, temperaturas e cores. Falta aprender a me perder no caminho, a dançar na chuva, a dizer sim. Quero até andar de olhos fechados, mas só se você me der a mão.
Chega. Para eu deixar de ser largada para ser chegada. Ser a tua chegada, tua espera ao alcance, conquista do teu caminho, vitória do teu querer.
Chega...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Lágrimas de alegria

Enfim, eu chorei as lágrimas de alegria com suspiros de esperança. É fruto, é obra partilhada, produto coletivo sob vozes das mais variadas qualidades, intensidade e intenções. E duas mãos... apoiadas por outras tantas que poderá cumprimentar e das demais que desconhece.
Enfim, eu suspirei de alívio, ainda que não seja o fim. Mas, as janelas se abrem e há frestas de sol de um mundo que eu deixei em segundo plano, sutil, silenciosa e resignadamente.
Se eu lamento? De maneira nenhuma. Enquanto isso, plantei sementes férteis das quais suponho poder colher doces frutos.
Sei mais do que pensei saber um dia e descobri que sei muito menos do que poderia e do que desejo. Há sempre muito a aprender sobre estas e todas as outras coisas. Levo tudo e um pouco mais, hoje e para sempre.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sentidos

Luz
Pitada de feitiço
Eu meio tonta
Seu sorriso

Aroma que dá sabor
Delírio
Eu embriagada
Seu cheiro

Escusos
Bondosos
Eu totalmente confusa
Seus olhos

Parou o tempo
Flores em todo terraço
Eu indefesa
Seu abraço